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sábado, 10 de maio de 2014

Poema de leão
















O campeonato está a chegar ao fim e este menino foi um dos responsáveis por este ano ser melhor que os anteriores. Foi o melhor jogador do campeonato, disso não há dúvida. Pelo menos para mim. Não gosto de poesia, mas uma vez que o Manuel Alegre fez um poema para o Eusébio, nas devidas proporções, achei que William Carvalho também merecia um. Melhor que este, certamente, que levou 10 minutos a escrever. Mas, enfim, é um excelente post para um blogue que não os tinha há 43 dias. William, és um campeão. Leão.



William 14

Há nele a mestria do passe
Com força taurina enche o campo
Não houve quem a bola lhe tirasse
Brilhou como um pirilampo

Um médio com jeito de craque
Recupera bolas como o cobrador do fraque
Calmo, tranquiliza Alvalade
Que o aclama como se fosse Yazalde

Com uma regularidade à Mondrian
É de um tempo pós-Farnerudes
É mais violino com pés de lã
Leonino nas virtudes

Bom gigante da porta 10A
Yaya Touré de cá
Alcochete justiça te fará
Felizmente não és o Licá

sexta-feira, 7 de março de 2014

Lembram-se do Inspector Gadget?



A propósito de uma conversa sobre o que pode ou não ser considerado um ‘gadget’, lembrei-me do Inspector Gadget. Sim, do tipo dos desenhos animados que usava uma gabardina e um chapéu. Esta foi uma das figuras que marcou a minha infância e que me deixava colada ao pequeno ecrã da televisão lá de casa. 


Lembram-se dele? Para quem não se lembra, o IMDb dá uma ajudinha aqui. 



Para refrescar a memória nada melhor do que ouvir a música de abertura




Já agora, vale a pena espreitar este vídeo que junta 'beatboxing' à música do Inspector Gadget.




E, enquanto se procura na internet um episódio do Inspector Gadget para matar saudades ou para ver do que se trata (aviso já quem nunca viu isto em criança que agora não tem tanta graça, até porque já não estamos na época em que só havia um ou dois canais de televisão), por que não recordar melhor esses tempos a comer uns 'doces' daqueles que dão nome a esta rubrica do Queijo Trivial?



quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Filhos únicos




 
O tema dos filhos únicos é sensível, mas deve ser alvo de atenção numa altura em que a taxa de natalidade é baixa e em que há cada vez mais filhos únicos.

Esta semana um artigo do jornal Público chamava a atenção para o problema com o título “Quanto pode custar ao país uma geração de filhos únicos?”. O texto acabava por aprofundar o tema da superprotecção aos filhos, que considero não ser um exclusivo dos filhos únicos (sim, sou filha única).

Conheço benjamins que são muito mais protegidos e até mimados do que os filhos únicos. No fundo, tudo depende da educação – e, diga-se a verdade, por vezes depende da maior predilecção dos pais por este filho ou por aquele em detrimento dos outros.

Felizmente não me revejo no retrato do filho único que é traçado no artigo. Se calhar porque cresci a ouvir muitas vezes a palavra “não”, que os pais hoje em dia têm dificuldade em pronunciar. Se calhar porque ainda sou da geração de brincar na rua com os vizinhos, de brincar com os primos, de brincar com os amigos – e de partilhar tudo com todos. E de chafurdar na terra a inventar bolos de chocolate, ficar com as unhas cheias de terra, e ainda ouvir o belo do ralhete e até a palmada da mãe quando tinha o infeliz tique de roer as unhas…

É verdade que a realidade hoje é outra para a maioria das crianças, tal como lembra o artigo. Mas também é verdade que muitos pais não sabem lidar com as birras das crianças, e preferem satisfazer as suas exigências para que se calem rapidamente, em vez de as contrariar. Há sempre aquela máxima: se a birra não inclui lágrimas, é porque é mesmo chantagem.

Concordo com o argumento que ser pai ou mãe hoje em dia não é a mesma coisa do que no tempo em que eu era criança. Agora há muita angústia em torno da parentalidade, do que se espera da figura do progenitor, do sacrifício pessoal que se exige aos pais num mundo em que a carreira profissional é cada vez mais rodeada de pressão.

Alguns destes problemas talvez ficassem resolvidos com uma política cabal de protecção à natalidade, mas também à maternidade e paternidade. A substituição das gerações não tem sido preocupação dos Governos, sempre preocupados apenas com problemas de curto prazo. Também não tem sido preocupação da sociedade em geral, porque mesmo no tempo da ilusória prosperidade não se exigiram este tipo de políticas semelhantes às dos países nórdicos.
Um dia havemos de pagar o preço por tudo isto e nessa altura a expressão “sustentabilidade da Segurança Social” vai deixar de fazer sentido.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Já não há cromos como antigamente


Lembram-se de um certo 'bolo' com recheio de chocolate, cujo nome começa em  "Bol" e termina em "cao"? Pois esta semana estava em promoção no supermercado e decidi comprar para recordar os meus tempos de infância/adolescência. Pois bem, tive uma decepção. Não com o sabor, que continua o mesmo, mas com a falta do cromo.

Sim, o cromo, aquele objecto que tantas alegrias infantis me deu quando o encontrava nas embalagens destes 'bolos' ou nos pacotes de batatas fritas. Era um dois em um. Recordo a expectativa e a ansiedade em ver que cromo me tinha calhado! Quer fosse aquele que procurava para completar a colecção, quer fosse um repetido que depois podia trocar com um amigo, era uma festa de cada vez que abria as embalagens ou pacotes.

E foi exactamente essa expectativa que voltou a apoderar-se de mim esta semana com a minha compra. Na fila da caixa do supermercado entretia-me a pensar que cromos estariam naquele pacote, que iria actualizar-me quanto às novas tendências dos cromos! Só que tudo isto só aumentou a minha desilusão ao ver em casa que afinal já não há cromos nestas embalagens, como já não há nos pacotes de batatas fritas.

Por isso, lembrei-me que ainda guardo uma caixa com cromos antigos e decidi revê-los. Aqui estão duas fotos para recordar como nos anos 1980/90 coleccionar cromos destas embalagens e pacotes era uma verdadeira devoção.


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

27 coisas que nos fazem sentir velhos

Apresento-vos a lista das 27 coisas que me fazem sentir velho. Porquê 27? Porque fiz 27 anos há pouco tempo, o que não significa que aos 60 tenha que fazer listas saudosistas com 20 metros de páginas de web. A ideia partiu daqui , uma lista que tem um defeito: é muito americanizada. Então fiz uma versão lusitana. Aposto que se vão sentir velhos. Pelo menos, quem nasceu antes de 1986. Aqui estão as 27 coisas que me fazem sentir velho. A mim e a vocês:

1. A Arca Noé já saiu do ar há 19 anos

 

 

 

 

 

 




2. O Médico de Família estreou-se
na SIC há mais de 16 anos


 

 

 

 

 



 

3. O 'Conspiracy of one' dos Offspring
foi lançado há  mais de 13 anos















4. Os Excesso lançaram a música
“Eu sou aquele” há 16 anos










5. O Alf foi lançado em Portugal há 26 anos












... e os miúdos que entraram este ano para
a universidade perguntam: Quem é o Alf?


6. Faz 20 anos que os Moto Ratos de Marte
se estrearam no Bueréré de fim-de-semana







 

 

 

 


7. A Expo 98 foi há mais de 15 anos











 

8. O Graeme Souness assinou contrato
com o Benfica há mais de 16 anos







9. Já passaram mais de 14 anos desde
que Peter Schmeichel assinou pelo
pelo Sporting (foi campeão nessa época)







 

 

 

 

 

 

10. Já passaram mais de 18 anos desde que
Portas saiu do Independente e deixou de
comer “Vichyssoise à Marcelo”. E mais
de 7 anos desde o fim do jornal 



11. Este verão completa-se uma década
da realização do Euro 2004











12. Passaram mais de 12 anos
do 11 de Setembro 











13. O Macaulay Culkin já tem 33 anos

  

 

14. A tragédia de Entre-os-Rios
      foi há mais de 12 anos











15. Passaram mais de 53 anos
desde que uma praia portuguesa
recebeu a 1ª Bola de Nívea











16. Passaram mais de 13 anos
do lançamento do “Chocolate
Starfish and the Hot Dog Flavored
Water”, dos Limp Bizkit 
















17.  O "buzinão" na Ponte
fará, este ano, 20 anos








18. O Batatinha e o Companhia
andaram à porrada há mais
de 11 anos no Batatoon














19. O pequeno Saúl Ricardo
tem 26 anos



20. Portugal já adoptou o DOT
       há mais de 13 anos 






 

 

 

 

 

 21. A Rua Sésamo foi emitida
na RTP pela 1ª vez há 24 anos












22. Passaram 12 anos desde
que Guterres deixou o "pântano"













23. E quase 9 desde que foi criado o videoclip do “Menino Guerreiro” de Santana Lopes

 

 

24. Passaram mais de 16 anos
da estreia do Herman Enciclopédia








 

 

 

 

25. E mais de 14 anos desde
que o Krpan chegou ao Sporting













 

 


26. Mais de 21 anos desde que
Sousa Lara fez com que o Saramago
partisse para o  'exílio' nas Canárias














27. A Amália, o Cunhal e o
Eusébio já  não estão entre nós





O Nelson que era brega como eu







Brega? Sim, chamem-me brega se quiserem, mas eu sei de cor as letras de “Tudo passará” ou “Domingo à tarde”, imortalizadas por Nelson Ned. O cantor brasileiro morreu no domingo e o seu corpo de 1,12 metros foi cremado em São Paulo.

Não vou falar aqui sobre as causas da morte, sobre o acidente vascular cerebral que o tinha numa cadeira de rodas desde 2003, ou sobre a vida em que esbanjou a fortuna que tinha acumulado. Misturou “muita cocaína, muito champanhe, muita mulherada”, conforme o próprio admitiu, numa entrevista à TV Record em 2011. Também não vou falar sobre a conversão à Igreja Evangélica em 1990, que o levou a dedicar-se à música cristã.
 
Vou aqui falar, sim, de um jovem que nasceu na pequena localidade de Ubá e não descansou até chegar ao Rio de Janeiro. Com 17 anos, foi trabalhar para a linha de montagem de uma fábrica de chocolate. Mas o que gostava era de cantar. E cantou. Cantou em clubes do Rio e São Paulo, gravou uma música em 1960, mas só em 69 viria a ter sucesso com a intemporal “Tudo passará”, um marco incontornável da música considerada brega – talvez um equivalente ao termo “pimba”.
 
“Quando a cantei num programa fui aplaudido de pé no meio da música. Isso é ser brega? Quem não é brega quando fala de amor? É o amor que é brega, não a minha música”, disse Nelson Ned em entrevista à Globo há dois anos.
 
Já eu não me importo de ser chamada de brega, porque não tenho a culpa de ter a facilidade de decorar letras de músicas. E de ter passado a infância a ouvir música e rádio. Foi assim que decorei também todas as letras das músicas de Roberto Carlos até essa altura. 
 
Por esta altura já devem estar a pensar que cresci no Brasil, mas não é verdade. Nasci e cresci em Portugal. Foi a ouvir rádio e as cassetes da minha mãe durante a infância, nos anos 1980, que aprendi as letras de outros tipos de músicas. O meu ouvido nunca foi mau de boca - sempre comeu, ou ouviu, como quiserem, o que lhe apareceu. Brega, pop, rock, jazz, soul, hip hop, fado, bossa nova, etc. Mas isso agora não vem ao caso e já me estou a afastar do assunto de hoje...
 
O que interessa agora é que o cantor romântico apaixonado pela música calou-se aos 66 anos. Ficam apenas as gravações para consolar as almas mais incuráveis dos tempos dos Sugos&Paninis e de todos os tempos.



segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Jogos sem Fronteiras ou a vontade de ver os mais pequenos ganharem qualquer coisinha




A música começava, os bonecos desengonçados corriam para cima das letras gigantes e o meu coraçãozito acelerava. Os Jogos sem Fronteiras eram um acontecimento nas noites de verão da minha infância. E despertaram em mim os primeiros sinais de justiça social: invariavelmente, torcia pelos mais fracos.

A coisa funcionava mais ou menos assim:

No início do programa, eu era a espectadora imparcial, que se limitava a apreciar as várias provas e vibrava com “Attention, prêts, Piiiiiiiii” do Denis. Ao segundo ou terceiro jogo, quando uma equipa começava a destacar-se pela negativa e a acomodar-se no fundo da tabela, eu tornava-me numa entusiasta apoiante desse país. A partir daí, acompanhava cada etapa com emoção, na expetativa de que os meus pequenos desajeitados ganhassem qualquer coisinha. E rejubilava cada vez que um desses países conseguia uma reviravolta na tabela e passava para a liderança. Eram estas as minhas pequenas conquistas no final dos anos 80.

Depois, os Jogos sem Fronteiras eram também um convite ao sonho. Naquela altura, com cinco ou seis anos, eu ainda não sabia que não tinha coordenação motora; ainda não sabia que, anos mais tarde, quando me passassem a bola nas aulas de educação física, tenderia a desviar-me inconscientemente, com medo de ser fatalmente alvejada. Com cinco anos, eu divertia-me a dar cambalhotas no sofá da minha avó e mal podia imaginar que iria desenvolver uma espécie de fobia à ginástica quando chegasse ao ciclo; vivia na aldeia e corria pelo pátio, sem saber que, mais tarde, acharia que correr é uma canseira. Enfim, aos cinco anos eu achava – ou melhor sonhava – que viria a participar numa edição dos Jogos Sem Fronteiras quando crescesse. Às vezes, ao deitar, no fim de mais uma emissão, fechava os olhos e revia as provas todas, imaginando-me aos comandos da equipa vencedora.
Feliz ou infelizmente, os Jogos Sem Fronteiras terminaram antes que eu tivesse idade para participar no concurso e não tive de passar pela humilhação de admitir as minhas flagrantes inabilidades físicas.

Se eu gostava que os Jogos sem Fronteiras voltassem? Sim, e não. Sim, claro, porque tudo o que seja reviver a tv da infância é sempre mágico. Não, porque tenho medo que afinal aquilo não seja assim tão genial. Às vezes, quando o zapping me leva aos “Soltem a parede” e outros produtos sucedâneos desta vida, dou comigo a pensar se os Jogos sem Fronteiras eram aquilo. Se eram assim uma parvoíce de pessoas a escorregar e a cair em piscinas. Sei que não eram, e podia elencar uma vasta lista de diferenças entre os Jogos e esses joguitos da tv moderna. Mas eu também achava que podia ser a estrela que ajudaria a equipa da Figueira da Foz a conquistar a final europeia. Por isso, na dúvida, prefiro deixar este assunto na caixinha das recordações.



(Bem sei que ABF já tinha refletido sobre os Jogos Sem Fronteiras, mas eu não podia regressar à infância e deixar esta memória de lado. Aviso já que serei igualmente implacável quanto à Rua Sésamo, ao Babar e às pastilhas Gorila. Lá iremos, um dia)