sexta-feira, 28 de março de 2014

Um tigre de sapatos vermelhos

Há uns dois anos ia no metro de Lisboa quando no meio dos rostos abatidos e desiludidos o meu olhar esbarrou no sorriso enorme de uma rapariga. É muito raro ver alguém sorrir assim no metro sem razão aparente. Por isso, captou a minha atenção.



Quando olhei melhor reparei que era simplesmente a Rita Redshoes e que estava abraçada ao Paulo Furtado aka The Legendary Tigerman.

Mas a história não acaba aqui. Esta semana ambos lançaram novas músicas a solo. Ele um disco inteiro, ela apenas uma amostra do álbum que só sai em Maio. Depois de "Femina" as expectativas dos fãs de The Legendary Tigerman eram elevadas. E o mesmo com os fãs de Rita Redshoes em relação ao segundo trabalho dela por conta própria.

Não sendo uma especialista na matéria, mas metendo um pouco a colher no campo da crítica musical, parece-me que a relação entre ambos contagiou a música que fazem. Se ouvirmos o primeiro single de "True" encontramos traços musicais de Rita Redshoes. Se ouvirmos o avanço de "Life Is a Second of Love" encontramos influências de The Legendary Tigerman. Ora oiçam lá e tirem as vossas próprias conclusões:

Rita Redshoes - Broken Bond

The Legendary Tigerman - Do Come Home


P.S.: Já agora fica aqui uma recordação da "Estrada de Palha" e mais um exemplo da proficuidade deste romance entre os dois cantores/compositores.


domingo, 23 de março de 2014

A Europa vista pelos portugueses*


























* O Queijo Trivial repudia qualquer tipo de opiniões generalizadas sobre povos ou nações, bem como qualquer tipo de referências xenófobas ou discriminatórias. O único objetivo deste post é fazer uma caricatura relativamente ao olhar estereotipado que muitos portugueses têm dos países com quem partilha o Velho Continente, à semelhança de outro tipo de mapas que circulam pela web.


Para quem gosta destas coisas, aqui fica o olhar dos gregos, dos ingleses, dos norte-americanos e dos espanhóis.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Poluição de todos nós



A poluição é um daqueles problemas de que grande parte das pessoas fala como se não tivesse nada que ver com o assunto quando na realidade depende muito de cada um de nós e afecta-nos a todos. 

                                           Foto: José Lopes/etcetal.pegada.net

Uma prova concreta disso está no avanço do mar que ficou bem visível este inverno em vários pontos da costa portuguesa. Há muito que se falava dos icebergues que estão a derreter, das alterações climáticas, da erosão costeira e de efeitos que tais da poluição, mas tudo isto era visto em geral como uma preocupação restrita aos ambientalistas, como se nunca se viesse a concretizar.

Muitos houve para quem as vozes contra as construções junto ao mar eram apenas vozes de anticapitalistas que só sabiam ser do contra, prontos a vociferar contra negócios milionários que violavam os planos de ordenamento do território - e isto nos casos em que os havia a sério.

O resultado está finalmente à vista em Portugal de forma inequívoca e ainda esta primavera vão começar a ser demolidas as construções em risco. Só este ano o Governo conta que avance a demolição de 835 instalações ilegais. Como as autarquias as deixaram estar de pé até agora é que eu não sei. Ou melhor, desconfio. Mas isso são contas de outro rosário.

Voltando à poluição, Pequim e Paris são apenas dois exemplos a ter em conta. Na capital francesa os elevados níveis de poluição no final da semana passada levaram as autoridades a incentivar a população a deixar ficar em casa os automóveis, tornando os transportes públicos gratuitos durante o fim de semana. Agora foi imposta a circulação alternada de viaturas em Paris.

                                   Foto: Patrick Kovarik/AFP/Getty Images/theguardian.com

No final do mês passado, a cidade de Pequim esteve em estado de emergência por causa dos elevados níveis de poluição e a população mais sensível (crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios) foram aconselhados a não sair de casa. Quase 150 empresas industriais de Pequim limitaram ou suspenderam a produção, obedecendo às medidas de emergência adotadas pelo município para reduzir a poluição.

Uma boa notícia é que o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, afirmou na semana passada que o seu Governo vai lutar contra o problema, apesar de "a guerra contra a poluição" ser "uma batalha difícil" e que "vai demorar tempo" a vencer. Há medidas concretas no horizonte, o que pelo menos já é um bom começo.

sexta-feira, 14 de março de 2014

L'OREAL, porque eu e o Paulo Fonseca merecemos
















“Luís Castro tem um penteado normal. E isso conta... muito”
Miguel Sousa Tavares, in A Bola, 11 de março de 2014

Eu já tinha ouvido de relance na televisão – entre a jocosidade da “confiança cega” – um comentador a atribuir o fracasso do Paulo Fonseca no Futebol Clube do Porto ao penteado com gel. Ou melhor: ao “cabelo espetado”. Tomei como uma brincadeira, mas na terça-feira Miguel Sousa Tavares volta ao assunto n'A Bola falando no “penteado normal” do novo treinador do Porto (Luís Castro), referindo ainda como é bom o novo técnico vestir-se com “sobriedade e elegância”.

Ora, independentemente do que eu acho do trabalho do Paulo Fonseca, é um ultraje associar o trabalho ao penteado. Até porque me parece mais apresentável que o dos técnicos dos rivais direitos: Leonardo Jardim nem tem cabelo e Jorge Jesus é aquele misto de Mick Jagger (se pintasse o cabelo de branco-loiro) e Simone de Oliveira (se  pintasse o cabelo de branco-loiro).















Eu sei que esta parece uma questão menor, mas não é. E escrevo este post pela defesa dos cabelos espetados deste mundo (Ellen Degeneres, não precisa de agradecer). Eu uso cabelo espetado e utilizo gel, que (passo a publicidade) é da L'oreal. Porque eu mereço.

Confesso que na minha vida profissional, não raras vezes dou com os entrevistados a olharem para o meu cabelo e sinto que é feito um certo juízo só por ter o cabelo em pé. Acontece mais com políticos e com a "velha-guarda". Julgo que, às vezes, uns se esticam só por eu ter o “cabelo espetado” e sentem-se no direito de fazerem comentários. De vez em quando lá sai a pergunta: “É estagiário?” Ou então: “É novo não é? Que idade é que tem?” Ou pior: “Têm aí um cabelo todo...”.

Houve até um  ministro de um Governo de coligação (não digo qual) que uma vez se sentiu no direito de fazer comentários impróprios sobre o meu cabelo durante uma entrevista. Ainda que na brincadeira, o facto do cabelo ter gel deu-lhe esse poder (esta é uma história deliciosa de mais para ser queimada neste texto e, por isso, vou deixá-la para outra altura).

Uma vez um chefe disse-me que eu era melhor jornalista que um camarada meu, mas que o outro camarada tinha um ar mais político. Supus que era por causa do cabelo, uma vez que nesse dia até estava enpinguimzado (vem do verbo inventado empinguar, que significa “tornar pinguim”). Outra vez, um amigo meu que usava cabelo espetado foi trabalhar para um gabinete ministerial e a primeira vez que fui almoçar com ele depois disso  trazia o cabelo sequinho, penteado para o lado, igual ao dos outros pinguins. Quando dei aulas, cheguei a ouvir de um aluno: “Nunca tive um professor com cabelo espetado”. Este meu drama (e do Paulo Fonseca) está assim entre o bullying do básico e uma praxe da COPA da Lusófona.

Deixo aqui um aviso os senhores que adoram os “cabelos à CDS” (ainda que tenham muito aquilo de que o Ronaldo fala no anúncio da Linic, a ole[o]sidade): Nós, os do cabelo espetado, não vos vamos render aos vossos cânones. A competência não depende, nem nunca dependerá, do cabelo. Se assim fosse, coitado do Rui Massena. Se assim fosse, o  Einestein não teria sido o Einstein. E o Cristiano Ronaldo não era o Cristiano Ronaldo.

Não sei em que medida o cabelo do Paulo Fonseca contribuiu para a sua saída do FC Porto. Acho que a culpa foi mais do gel do Moutinho e do James terem saído dos cacifos do balneário. Porém, se houve alguma parte de responsabilidade do cabelo nisso, demonstro desde já o total repúdio e solidariedade para com o Paulo Fonseca. Acho até que se podiam criar os direitos da minoria do cabelo espetado, não conheço nenhum chefe de Estado no mundo com o cabelo espetado. Mas há esperança.  Este ano, nós, os(as) do cabelo com gel, já tivemos uma representante a apresentar os óscares. Em breve, dominaremos o mundo. Porque, independentemente do cabelo, nós merecemos.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Festival da Canção: de orgulho a vergonha da nação

Não tive o prazer (?) de assistir ao Festival da Canção no sábado, mas a publicidade que a RTP tem feito com as cinco músicas mais votadas lembrou-me dos festivais de outros tempos. E fez-me voltar a sentir vergonha alheia pelos festivais do presente.

Não sou do tempo em que o país parava para ver a sô dona Simone representar o país no estrangeiro, mas ainda me lembro dos dias em que Festival Eurovisão da Canção era O acontecimento do ano – mesmo que soubéssemos de antemão que só invertendo a tabela poderíamos alcançar o pódio. Apesar de tudo (e acho que não era apenas ingenuidade infantil, o sentimento era comum aos adultos lá de casa), acreditávamos que era possível ficar bem classificados e acompanhávamos a votação com um friozinho na barriga, sempre à espera dos pontos de salvação nacional dos países onde Portugal tinha uma forte comunidade de emigrantes. E, mesmo ficando mal classificados, continuávamos a ter orgulho em Portugal. Nós cantávamos bem e tínhamos músicas bonitas, a culpa era dessa Europa injusta, que não valorizava os pequeninos.

Hoje já ninguém acredita. Há muito que o Festival da Canção se tornou num espelho das angústias do país. Em 2011 deu-nos para ser irreverentes e mandámos os Homens da Luta a Dusseldorftalvez à espera que os alemães se comovessem e mandassem acabar com a austeridade. Como não resultou, voltámos à bimbalhice e às músicas mais-do-mesmo dos últimos anos. E nós que até temos tão bons cantores e compositores em Portugal - onde é que eles andam quando a malta faz castings para o Festival?

Se 2014 fosse 1993, neste momento eu estaria em êxtase. Há uma cantora figueirense entre os cinco finalistas do Festival da Canção (que orgulho que isto seria nos anos 90, caraças!). Chamou-me a atenção a cara dela quando vi a publicidade na televisão, achei que a conhecia de qualquer lado. Não, não andámos juntas na escola: à primeira vista, parecia-me a Susana, a moça que cantou o “Nesta Noite Branca”, com os  Anjos, em 1999 (talvez um dia escreva sobre a minha paixão de adolescência pelos Anjos, ou talvez o meu sentido de limite de exposição ao ridículo em público me impeça de o fazer) e resolvi investigar. Não consegui perceber se a Susana dos Anjos e a Susy do Festival da Canção são uma e a mesma pessoa; mas foi aí que descobri que a Susy é da Figueira da Foz e que foi rainha do Carnaval da cidade este ano, ao lado do Emanuel (que, valha-me Deus, escreveu a música que ela canta no festival). O resultado é este….








…. e faz-me querer voltar a 1993, quando éramos (ou pelo menos acreditávamos convictamente ser) um povo com dignidade. Esta, para mim, é e será sempre a música-sinónimo de Festival da Canção. Não será melhor pedaço de poesia musicada alguma fez feito em Portugal mas ainda hoje, quando a ouço, me vejo com uns orgulhosos oito anos, a cantar no palco que era o tapete do meu quarto.


sexta-feira, 7 de março de 2014

Lembram-se do Inspector Gadget?



A propósito de uma conversa sobre o que pode ou não ser considerado um ‘gadget’, lembrei-me do Inspector Gadget. Sim, do tipo dos desenhos animados que usava uma gabardina e um chapéu. Esta foi uma das figuras que marcou a minha infância e que me deixava colada ao pequeno ecrã da televisão lá de casa. 


Lembram-se dele? Para quem não se lembra, o IMDb dá uma ajudinha aqui. 



Para refrescar a memória nada melhor do que ouvir a música de abertura




Já agora, vale a pena espreitar este vídeo que junta 'beatboxing' à música do Inspector Gadget.




E, enquanto se procura na internet um episódio do Inspector Gadget para matar saudades ou para ver do que se trata (aviso já quem nunca viu isto em criança que agora não tem tanta graça, até porque já não estamos na época em que só havia um ou dois canais de televisão), por que não recordar melhor esses tempos a comer uns 'doces' daqueles que dão nome a esta rubrica do Queijo Trivial?



domingo, 2 de março de 2014

Dez coisas que talvez vos tenham escapado nos últimos tempos

Pessoas, passou-se isto assim-assim e ao longo dos últimos tempos inconsegui escrever para este espaço, o que até foi algo frustracional (como diria aquela senhora que gosta de pedir de forma-mais-ou-menos-histérica “façam favor de evacuar as galerias”). Agora, para celebrar a chegada de um novo mês, e pensando nos acontecimentos que marcaram o primeiro bimestre do ano, trago-vos uma lista de dez coisas de que talvez não se tenham dado conta [não recomendável a quem, a exemplo do venerável Sheldon Cooper, não compreenda sarcarmo]. A saber:
















1. Houve dias de sol e sem alertas meteorológicos (cerca de dois)

2. Ainda estão vivas algumas velhas-glórias-do-Benfica-dos-anos-60 (expressão algo redundante)

3. Existem estudantes universitários, com um QI dentro da média, e que conseguem ter opiniões não-radicalizadas sobre a praxe

4. Em Janeiro, Vladimir Putin era um putativo Nobel da Paz (pela ‘intervenção’ na crise síria)

5. Em alguns dias dos últimos dois meses, Miley Cyrus andou vestida e não se envolveu em polémicas

6. Os indicadores pão, habitação, saúde e educação ainda não foram informados da retoma económica e de baixa do desemprego

7. Phillip Seymour Hoffmann não tinha 27 anos quando morreu de overdose

8. Ainda existem vídeos virais com gatos – embora não tão engraçados como os das flash interview de certos treinadores portugueses (e também do Paulo Fonseca)

9. Cavaco Silva é “presidente da república” e exerce uma “magistratura de influência”

10. Há mais do que um militante do PSD a achar boa ideia o regresso de Miguel Relvas [esta carece de confirmação]