sexta-feira, 27 de junho de 2014

Lista canina do Mundial




O site Life on White fez uma lista com os cães de algumas das nacionalidades das equipas presentes no Mundial de Futebol de 2014. O Queijo Trivial replica aqui quatro desses cães. Acrescenta o representante Uruguai* (não presente nas escolhas do Life on White) e discorda do cão de água português como a figura canina representativa do País. Só mesmo para a família Obama. Em Portugal, a referência é outra.

*Trata-se de uma referência humorística, que não pretende ofender o grande jogador que é Luis Suárez

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Descanse, Portugal fica em 3ºlugar no Campeonato do Mundo


Não foi preciso um polvo em Oberhausen, nem recorrer às previsões das casas de apostas. Aqui está o mundial favorito de Wolfgang Schäuble e Angela Merkel: o das dívidas soberanas. O Queijo Trivial fez a projeção de como seriam os resultados do Campeonato do Mundo tendo em conta a dívida pública de cada um dos países em competição (foi contabilizada a dívida em percentagem do PIB, tendo sido utilizados os dados referentes a 2013, de acordo com o "The World Factbook" da CIA).

Os resultados são verdadeiramente animadores para Portugal. A seleção das quinas (com 127,8% de dívida pública em percentagem do PIB) ganha o grupo, vence a Coreia nos oitavos, a França nos quartos e só cai nas "meias" frente ao todo poderoso do endividamento: o Japão. No entanto, Portugal consegue vencer facilmente o jogo de apuramento do terceiro e quarto classificado à Alemanha, que só chega tão longe porque tem a sorte de não enfrentar Espanha, Itália e Grécia, que, por sua vez, chega à final contra o Japão com relativa facilidade.

Resumindo, tendo em conta a dívida pública: o Japão é campeão do Mundo, a Grécia chega à final e Portugal fica em terceiro lugar. Este é o campeonato favorito do FMI e do Ecofin e, aqui, Portugal até não se safa nada mal.

A Bósnia vence o grupo à Argentina de Lionel Messi por uma décima, mas perde nos quartos-de-final com os germânicos (que superam a fase de grupos também de forma suada com 8 pontos percentuais sobre os EUA). A Itália, que partia como 4ª classificada no ranking da dívida das seleções da "Copa" fica pelos oitavos, pois não supera a tarefa hercúlea de superar a Grécia.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Sete ideias do Tio Sam para o PS dinamizar as eleições Primárias

No dia 28 de setembro o País vai viver as suas primeiras primárias para escolher um líder de um partido, com os portugueses a serem chamados a escolher o secretário-geral do Partido Socialista. Apesar de François Hollande já ter sido assim escolhido como candidato do Partido Socialista Francês, não há país que saiba mais de primárias do que os Estados Unidos. Vejamos o que têm os norte-americanos para ensinar ao PS. Em sete ideias.

1. 'Supercouples'


















"Segureitas" ou "Costadeu" são nomes que não soam tão bem como "Billary" (Bill+Hillary) ou "Brangelina" (para dar o exemplo fora da política). Os americanos são mais despudorados que os portugueses, que protegem (e bem) a vida privada dos seus políticos. Ter atos de campanha com as respetivas mulheres não deixava, no entanto, de ser uma sofisticação interessante da nossa política. Ainda que timidamente Passos já o fez com Laura, Soares com Maria Barroso, etc. Fica a sugestão.


2.Chuck Norris



Se os Gato Fedorento conseguiram trazer Steven Seagle para um exótico programa de 5 minutos na TV, porque não os candidatos à liderança do PS tentarem o apoio de uma estrela de Hollywood? Em 2008, Mike Huckabee contou com o apoio de Chuck Norris durante as primárias republicanas. Não lhe valeu de muito, pois John McCain acabou por ser o escolhido dos elefantes a defrontar Obama. Mas quem sabe, Van Dame, por exemplo, talvez conseguisse pôr um pé no Rato e outro em S.Bento.

3. Caucus

Vamos imaginar, por exemplo, que o distrito de Portalegre escolhia o seu apoiante por braço no ar, em reuniões com meia-dúzia de militantes do PS. Não deixava de ter a sua beleza poética. Até  dava a ideia semiótica de que o socialismo já teria voltado a sair da gaveta.

4. Tea Party ou Sarah Palin

Nas primárias do PS teremos Guterristas, Socráticos, Costistas, Seguristas, Jovens Turcos, Poetas, Senadores e Fundadores (ignorar redundâncias). Porém, falta o lado divertido da coisa. Uma espécie de Tea Party à esquerda (uma facção socialista que defendesse, por exemplo, o fim da propriedade privada, a nacionalização do tecido empresarial, a perseguição de ex-Pides e a saída da UE). Infelizmente não há. Nem sequer uma Sarah Palin para animar a coisa. Estamos condenados a contentar-nos com acusações como Renato Sampaio a chamar estalinista a Brilhante Dias e com a criatividade de Costa que já chamou Dona Inércia ao Governo. O que chamará a Seguro?

5. "Segurogirl" ou "Costagirl"

Nas primárias democratas de 2008, Obama contou com uma preciosa ajuda no Youtube na corrida à liderança democrata: a Obamagirl. O vídeo "I got a crush on Obama" foi na altura um êxito (26 milhões de visualizações, assim ao nível do "Não Me Toca" do Anselmo Ralph). Uma Segurogirl ou uma Costagirl podiam dar um bom élan à campanha. Não seria um apoio com o peso do de Armando Vara ou de Jorge Coelho, mas dava jeito na luta das redes sociais. Não há nada melhor que ser viral.
  

6. Teorias da Conspiração

















Se há uma coisa que as máquinas eleitorais dos Estados Unidos são profícuas é em fabricar Teorias da Conspiração. Desde a teoria de que o Obama é o Anti-cristo até à de que este seria de descendente de Saddam por partilharem o apelido Hussein. Em Portugal, já circulam pela Net imagens de Costa e Seguro, dizendo que tanto um como o outro são escolhas do Clube de Bilderberg (Costa participou em 2008 e Seguro em 2013). Mais exóticas são outras teorias como as de que António Costa já desempenhou o papel de agente disfarçado em Angola. Tudo devido às alegadas semelhanças que tem com Mariana Assis, presidente do Conselho Fiscal do Banco de Fomento de Angola.

 

7.Criatividade














As entourages socialistas até têm fama de serem criativas.  Basta ver como os apoiantes de Costa, nas autárquicas, materializaram (ver imagem em cima) a vitória do socialista sobre Seara. Outro exemplo da criatividade socialista, deu-se logo a seguir ao anuncio de António Costa de que estava na corrida, quando um cartaz exigia entre a multidão do Rock in Rio: "Tozé marca o Congresso" (ver imagem em baixo). Portugal está a anos-luz dos EUA neste aspeto, mas se há algo a aprender com as primárias norte-americanas é que a criatividade é um dos segredos do sucesso.


















sábado, 10 de maio de 2014

Poema de leão
















O campeonato está a chegar ao fim e este menino foi um dos responsáveis por este ano ser melhor que os anteriores. Foi o melhor jogador do campeonato, disso não há dúvida. Pelo menos para mim. Não gosto de poesia, mas uma vez que o Manuel Alegre fez um poema para o Eusébio, nas devidas proporções, achei que William Carvalho também merecia um. Melhor que este, certamente, que levou 10 minutos a escrever. Mas, enfim, é um excelente post para um blogue que não os tinha há 43 dias. William, és um campeão. Leão.



William 14

Há nele a mestria do passe
Com força taurina enche o campo
Não houve quem a bola lhe tirasse
Brilhou como um pirilampo

Um médio com jeito de craque
Recupera bolas como o cobrador do fraque
Calmo, tranquiliza Alvalade
Que o aclama como se fosse Yazalde

Com uma regularidade à Mondrian
É de um tempo pós-Farnerudes
É mais violino com pés de lã
Leonino nas virtudes

Bom gigante da porta 10A
Yaya Touré de cá
Alcochete justiça te fará
Felizmente não és o Licá

sexta-feira, 28 de março de 2014

Um tigre de sapatos vermelhos

Há uns dois anos ia no metro de Lisboa quando no meio dos rostos abatidos e desiludidos o meu olhar esbarrou no sorriso enorme de uma rapariga. É muito raro ver alguém sorrir assim no metro sem razão aparente. Por isso, captou a minha atenção.



Quando olhei melhor reparei que era simplesmente a Rita Redshoes e que estava abraçada ao Paulo Furtado aka The Legendary Tigerman.

Mas a história não acaba aqui. Esta semana ambos lançaram novas músicas a solo. Ele um disco inteiro, ela apenas uma amostra do álbum que só sai em Maio. Depois de "Femina" as expectativas dos fãs de The Legendary Tigerman eram elevadas. E o mesmo com os fãs de Rita Redshoes em relação ao segundo trabalho dela por conta própria.

Não sendo uma especialista na matéria, mas metendo um pouco a colher no campo da crítica musical, parece-me que a relação entre ambos contagiou a música que fazem. Se ouvirmos o primeiro single de "True" encontramos traços musicais de Rita Redshoes. Se ouvirmos o avanço de "Life Is a Second of Love" encontramos influências de The Legendary Tigerman. Ora oiçam lá e tirem as vossas próprias conclusões:

Rita Redshoes - Broken Bond

The Legendary Tigerman - Do Come Home


P.S.: Já agora fica aqui uma recordação da "Estrada de Palha" e mais um exemplo da proficuidade deste romance entre os dois cantores/compositores.


domingo, 23 de março de 2014

A Europa vista pelos portugueses*


























* O Queijo Trivial repudia qualquer tipo de opiniões generalizadas sobre povos ou nações, bem como qualquer tipo de referências xenófobas ou discriminatórias. O único objetivo deste post é fazer uma caricatura relativamente ao olhar estereotipado que muitos portugueses têm dos países com quem partilha o Velho Continente, à semelhança de outro tipo de mapas que circulam pela web.


Para quem gosta destas coisas, aqui fica o olhar dos gregos, dos ingleses, dos norte-americanos e dos espanhóis.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Poluição de todos nós



A poluição é um daqueles problemas de que grande parte das pessoas fala como se não tivesse nada que ver com o assunto quando na realidade depende muito de cada um de nós e afecta-nos a todos. 

                                           Foto: José Lopes/etcetal.pegada.net

Uma prova concreta disso está no avanço do mar que ficou bem visível este inverno em vários pontos da costa portuguesa. Há muito que se falava dos icebergues que estão a derreter, das alterações climáticas, da erosão costeira e de efeitos que tais da poluição, mas tudo isto era visto em geral como uma preocupação restrita aos ambientalistas, como se nunca se viesse a concretizar.

Muitos houve para quem as vozes contra as construções junto ao mar eram apenas vozes de anticapitalistas que só sabiam ser do contra, prontos a vociferar contra negócios milionários que violavam os planos de ordenamento do território - e isto nos casos em que os havia a sério.

O resultado está finalmente à vista em Portugal de forma inequívoca e ainda esta primavera vão começar a ser demolidas as construções em risco. Só este ano o Governo conta que avance a demolição de 835 instalações ilegais. Como as autarquias as deixaram estar de pé até agora é que eu não sei. Ou melhor, desconfio. Mas isso são contas de outro rosário.

Voltando à poluição, Pequim e Paris são apenas dois exemplos a ter em conta. Na capital francesa os elevados níveis de poluição no final da semana passada levaram as autoridades a incentivar a população a deixar ficar em casa os automóveis, tornando os transportes públicos gratuitos durante o fim de semana. Agora foi imposta a circulação alternada de viaturas em Paris.

                                   Foto: Patrick Kovarik/AFP/Getty Images/theguardian.com

No final do mês passado, a cidade de Pequim esteve em estado de emergência por causa dos elevados níveis de poluição e a população mais sensível (crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios) foram aconselhados a não sair de casa. Quase 150 empresas industriais de Pequim limitaram ou suspenderam a produção, obedecendo às medidas de emergência adotadas pelo município para reduzir a poluição.

Uma boa notícia é que o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, afirmou na semana passada que o seu Governo vai lutar contra o problema, apesar de "a guerra contra a poluição" ser "uma batalha difícil" e que "vai demorar tempo" a vencer. Há medidas concretas no horizonte, o que pelo menos já é um bom começo.

sexta-feira, 14 de março de 2014

L'OREAL, porque eu e o Paulo Fonseca merecemos
















“Luís Castro tem um penteado normal. E isso conta... muito”
Miguel Sousa Tavares, in A Bola, 11 de março de 2014

Eu já tinha ouvido de relance na televisão – entre a jocosidade da “confiança cega” – um comentador a atribuir o fracasso do Paulo Fonseca no Futebol Clube do Porto ao penteado com gel. Ou melhor: ao “cabelo espetado”. Tomei como uma brincadeira, mas na terça-feira Miguel Sousa Tavares volta ao assunto n'A Bola falando no “penteado normal” do novo treinador do Porto (Luís Castro), referindo ainda como é bom o novo técnico vestir-se com “sobriedade e elegância”.

Ora, independentemente do que eu acho do trabalho do Paulo Fonseca, é um ultraje associar o trabalho ao penteado. Até porque me parece mais apresentável que o dos técnicos dos rivais direitos: Leonardo Jardim nem tem cabelo e Jorge Jesus é aquele misto de Mick Jagger (se pintasse o cabelo de branco-loiro) e Simone de Oliveira (se  pintasse o cabelo de branco-loiro).















Eu sei que esta parece uma questão menor, mas não é. E escrevo este post pela defesa dos cabelos espetados deste mundo (Ellen Degeneres, não precisa de agradecer). Eu uso cabelo espetado e utilizo gel, que (passo a publicidade) é da L'oreal. Porque eu mereço.

Confesso que na minha vida profissional, não raras vezes dou com os entrevistados a olharem para o meu cabelo e sinto que é feito um certo juízo só por ter o cabelo em pé. Acontece mais com políticos e com a "velha-guarda". Julgo que, às vezes, uns se esticam só por eu ter o “cabelo espetado” e sentem-se no direito de fazerem comentários. De vez em quando lá sai a pergunta: “É estagiário?” Ou então: “É novo não é? Que idade é que tem?” Ou pior: “Têm aí um cabelo todo...”.

Houve até um  ministro de um Governo de coligação (não digo qual) que uma vez se sentiu no direito de fazer comentários impróprios sobre o meu cabelo durante uma entrevista. Ainda que na brincadeira, o facto do cabelo ter gel deu-lhe esse poder (esta é uma história deliciosa de mais para ser queimada neste texto e, por isso, vou deixá-la para outra altura).

Uma vez um chefe disse-me que eu era melhor jornalista que um camarada meu, mas que o outro camarada tinha um ar mais político. Supus que era por causa do cabelo, uma vez que nesse dia até estava enpinguimzado (vem do verbo inventado empinguar, que significa “tornar pinguim”). Outra vez, um amigo meu que usava cabelo espetado foi trabalhar para um gabinete ministerial e a primeira vez que fui almoçar com ele depois disso  trazia o cabelo sequinho, penteado para o lado, igual ao dos outros pinguins. Quando dei aulas, cheguei a ouvir de um aluno: “Nunca tive um professor com cabelo espetado”. Este meu drama (e do Paulo Fonseca) está assim entre o bullying do básico e uma praxe da COPA da Lusófona.

Deixo aqui um aviso os senhores que adoram os “cabelos à CDS” (ainda que tenham muito aquilo de que o Ronaldo fala no anúncio da Linic, a ole[o]sidade): Nós, os do cabelo espetado, não vos vamos render aos vossos cânones. A competência não depende, nem nunca dependerá, do cabelo. Se assim fosse, coitado do Rui Massena. Se assim fosse, o  Einestein não teria sido o Einstein. E o Cristiano Ronaldo não era o Cristiano Ronaldo.

Não sei em que medida o cabelo do Paulo Fonseca contribuiu para a sua saída do FC Porto. Acho que a culpa foi mais do gel do Moutinho e do James terem saído dos cacifos do balneário. Porém, se houve alguma parte de responsabilidade do cabelo nisso, demonstro desde já o total repúdio e solidariedade para com o Paulo Fonseca. Acho até que se podiam criar os direitos da minoria do cabelo espetado, não conheço nenhum chefe de Estado no mundo com o cabelo espetado. Mas há esperança.  Este ano, nós, os(as) do cabelo com gel, já tivemos uma representante a apresentar os óscares. Em breve, dominaremos o mundo. Porque, independentemente do cabelo, nós merecemos.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Festival da Canção: de orgulho a vergonha da nação

Não tive o prazer (?) de assistir ao Festival da Canção no sábado, mas a publicidade que a RTP tem feito com as cinco músicas mais votadas lembrou-me dos festivais de outros tempos. E fez-me voltar a sentir vergonha alheia pelos festivais do presente.

Não sou do tempo em que o país parava para ver a sô dona Simone representar o país no estrangeiro, mas ainda me lembro dos dias em que Festival Eurovisão da Canção era O acontecimento do ano – mesmo que soubéssemos de antemão que só invertendo a tabela poderíamos alcançar o pódio. Apesar de tudo (e acho que não era apenas ingenuidade infantil, o sentimento era comum aos adultos lá de casa), acreditávamos que era possível ficar bem classificados e acompanhávamos a votação com um friozinho na barriga, sempre à espera dos pontos de salvação nacional dos países onde Portugal tinha uma forte comunidade de emigrantes. E, mesmo ficando mal classificados, continuávamos a ter orgulho em Portugal. Nós cantávamos bem e tínhamos músicas bonitas, a culpa era dessa Europa injusta, que não valorizava os pequeninos.

Hoje já ninguém acredita. Há muito que o Festival da Canção se tornou num espelho das angústias do país. Em 2011 deu-nos para ser irreverentes e mandámos os Homens da Luta a Dusseldorftalvez à espera que os alemães se comovessem e mandassem acabar com a austeridade. Como não resultou, voltámos à bimbalhice e às músicas mais-do-mesmo dos últimos anos. E nós que até temos tão bons cantores e compositores em Portugal - onde é que eles andam quando a malta faz castings para o Festival?

Se 2014 fosse 1993, neste momento eu estaria em êxtase. Há uma cantora figueirense entre os cinco finalistas do Festival da Canção (que orgulho que isto seria nos anos 90, caraças!). Chamou-me a atenção a cara dela quando vi a publicidade na televisão, achei que a conhecia de qualquer lado. Não, não andámos juntas na escola: à primeira vista, parecia-me a Susana, a moça que cantou o “Nesta Noite Branca”, com os  Anjos, em 1999 (talvez um dia escreva sobre a minha paixão de adolescência pelos Anjos, ou talvez o meu sentido de limite de exposição ao ridículo em público me impeça de o fazer) e resolvi investigar. Não consegui perceber se a Susana dos Anjos e a Susy do Festival da Canção são uma e a mesma pessoa; mas foi aí que descobri que a Susy é da Figueira da Foz e que foi rainha do Carnaval da cidade este ano, ao lado do Emanuel (que, valha-me Deus, escreveu a música que ela canta no festival). O resultado é este….








…. e faz-me querer voltar a 1993, quando éramos (ou pelo menos acreditávamos convictamente ser) um povo com dignidade. Esta, para mim, é e será sempre a música-sinónimo de Festival da Canção. Não será melhor pedaço de poesia musicada alguma fez feito em Portugal mas ainda hoje, quando a ouço, me vejo com uns orgulhosos oito anos, a cantar no palco que era o tapete do meu quarto.


sexta-feira, 7 de março de 2014

Lembram-se do Inspector Gadget?



A propósito de uma conversa sobre o que pode ou não ser considerado um ‘gadget’, lembrei-me do Inspector Gadget. Sim, do tipo dos desenhos animados que usava uma gabardina e um chapéu. Esta foi uma das figuras que marcou a minha infância e que me deixava colada ao pequeno ecrã da televisão lá de casa. 


Lembram-se dele? Para quem não se lembra, o IMDb dá uma ajudinha aqui. 



Para refrescar a memória nada melhor do que ouvir a música de abertura




Já agora, vale a pena espreitar este vídeo que junta 'beatboxing' à música do Inspector Gadget.




E, enquanto se procura na internet um episódio do Inspector Gadget para matar saudades ou para ver do que se trata (aviso já quem nunca viu isto em criança que agora não tem tanta graça, até porque já não estamos na época em que só havia um ou dois canais de televisão), por que não recordar melhor esses tempos a comer uns 'doces' daqueles que dão nome a esta rubrica do Queijo Trivial?



domingo, 2 de março de 2014

Dez coisas que talvez vos tenham escapado nos últimos tempos

Pessoas, passou-se isto assim-assim e ao longo dos últimos tempos inconsegui escrever para este espaço, o que até foi algo frustracional (como diria aquela senhora que gosta de pedir de forma-mais-ou-menos-histérica “façam favor de evacuar as galerias”). Agora, para celebrar a chegada de um novo mês, e pensando nos acontecimentos que marcaram o primeiro bimestre do ano, trago-vos uma lista de dez coisas de que talvez não se tenham dado conta [não recomendável a quem, a exemplo do venerável Sheldon Cooper, não compreenda sarcarmo]. A saber:
















1. Houve dias de sol e sem alertas meteorológicos (cerca de dois)

2. Ainda estão vivas algumas velhas-glórias-do-Benfica-dos-anos-60 (expressão algo redundante)

3. Existem estudantes universitários, com um QI dentro da média, e que conseguem ter opiniões não-radicalizadas sobre a praxe

4. Em Janeiro, Vladimir Putin era um putativo Nobel da Paz (pela ‘intervenção’ na crise síria)

5. Em alguns dias dos últimos dois meses, Miley Cyrus andou vestida e não se envolveu em polémicas

6. Os indicadores pão, habitação, saúde e educação ainda não foram informados da retoma económica e de baixa do desemprego

7. Phillip Seymour Hoffmann não tinha 27 anos quando morreu de overdose

8. Ainda existem vídeos virais com gatos – embora não tão engraçados como os das flash interview de certos treinadores portugueses (e também do Paulo Fonseca)

9. Cavaco Silva é “presidente da república” e exerce uma “magistratura de influência”

10. Há mais do que um militante do PSD a achar boa ideia o regresso de Miguel Relvas [esta carece de confirmação]

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Filhos únicos




 
O tema dos filhos únicos é sensível, mas deve ser alvo de atenção numa altura em que a taxa de natalidade é baixa e em que há cada vez mais filhos únicos.

Esta semana um artigo do jornal Público chamava a atenção para o problema com o título “Quanto pode custar ao país uma geração de filhos únicos?”. O texto acabava por aprofundar o tema da superprotecção aos filhos, que considero não ser um exclusivo dos filhos únicos (sim, sou filha única).

Conheço benjamins que são muito mais protegidos e até mimados do que os filhos únicos. No fundo, tudo depende da educação – e, diga-se a verdade, por vezes depende da maior predilecção dos pais por este filho ou por aquele em detrimento dos outros.

Felizmente não me revejo no retrato do filho único que é traçado no artigo. Se calhar porque cresci a ouvir muitas vezes a palavra “não”, que os pais hoje em dia têm dificuldade em pronunciar. Se calhar porque ainda sou da geração de brincar na rua com os vizinhos, de brincar com os primos, de brincar com os amigos – e de partilhar tudo com todos. E de chafurdar na terra a inventar bolos de chocolate, ficar com as unhas cheias de terra, e ainda ouvir o belo do ralhete e até a palmada da mãe quando tinha o infeliz tique de roer as unhas…

É verdade que a realidade hoje é outra para a maioria das crianças, tal como lembra o artigo. Mas também é verdade que muitos pais não sabem lidar com as birras das crianças, e preferem satisfazer as suas exigências para que se calem rapidamente, em vez de as contrariar. Há sempre aquela máxima: se a birra não inclui lágrimas, é porque é mesmo chantagem.

Concordo com o argumento que ser pai ou mãe hoje em dia não é a mesma coisa do que no tempo em que eu era criança. Agora há muita angústia em torno da parentalidade, do que se espera da figura do progenitor, do sacrifício pessoal que se exige aos pais num mundo em que a carreira profissional é cada vez mais rodeada de pressão.

Alguns destes problemas talvez ficassem resolvidos com uma política cabal de protecção à natalidade, mas também à maternidade e paternidade. A substituição das gerações não tem sido preocupação dos Governos, sempre preocupados apenas com problemas de curto prazo. Também não tem sido preocupação da sociedade em geral, porque mesmo no tempo da ilusória prosperidade não se exigiram este tipo de políticas semelhantes às dos países nórdicos.
Um dia havemos de pagar o preço por tudo isto e nessa altura a expressão “sustentabilidade da Segurança Social” vai deixar de fazer sentido.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Chupistas nunca mais



Cheguei à conclusão que há chupistas por todo o lado. E os chupistas são bem piores que os borlistas ou os cravas (por estes últimos, confesso,  não nutro especial simpatia). No final de janeiro li um texto do Miguel Esteves Cardoso (MEC), intitulado "Borlas Nunca Mais" (por acaso li-o à borla na Internet), do qual discordo porque o MEC confundiu borlistas com cravas. Não são bem a mesma coisa.

Como o MEC é o MEC vou tentar equilibrar um bocadinho as coisas e ganhar aqui alguma vantagem moral, já que pela escrita não vou lá. Vou roçar a demagogia, mas, pelo menos, é com a verdade. Se somar as horas todas que fiz em peditórios (naturalmente, de borla) para a Liga Portuguesa Contra o Cancro e as horas que estive, em pé, à porta de um supermercado a recolher alimentos para o Banco Alimentar sou capaz de superar as horas que o MEC foi à borla falar à televisão, a um programa do Herman ou qualquer coisa parecida. Isso faz de mim um escravo moderno? Penso que não.

O MEC estava muito ofendido porque, naturalmente, recebe muitos convites (que não considera convites, mas uma espécie de cantos da sereia esclavagistas) de pessoas que o admiram, que querem que ele faça parte de um projeto. "Borlistas de merda!", pensará ele. E continuará, imagino eu: "Eles gostam de mim, mas que se lixe, não sou pai de ninguém. Não sou escravo. Não vão ser correspondidos, por isso é que o Amor é Fodido".

O MEC é um ídolo para gerações. Da minha, da antes da minha e da antes dessa. Se eu um dia, hipoteticamente falando, lançasse um livro, pensaria no Miguel para o apresentar. Porque o admiro.  E não teria dinheiro para lhe pagar. Ia-lhe pedir que cometesse o sacrifício de perder 45 minutos da vida dele com um "projeto" meu e automaticamente tornava-me num escravocrata. Por outro lado, se um Trump, um Amorim ou um Belmiro oferecesse uns bons milhares de euros para o MEC ir uma apresentação, já seriam bons-samaritanos, gente justa e honesta, que contrasta com um palhaço borlista como eu.

MEC, quando lhe fizerem esses "convites" esclavagistas, há duas palavras que costumam resultar: "Não, obrigado". Não é preciso menorizar as pessoas que o abordaram - que antes disso leram as suas crónicas, compraram os seus livros - e que apenas fizeram uma pergunta. Perguntar não ofende. Já pensou que eles não têm a culpa de não ter nascido génios, de não terem um amigo na televisão ou de não serem de uma família com consoantes duplas e ípsilons no lugar dos i's?

Se eu fosse o MEC, tanta borla que eu dava. Sou o Rui, nasci em Salvaterra, e escrevo textos medíocres como este. Quem me dera ter mais convites, quem me dera ajudar mais. Mas, infelizmente, não nasci génio.  A mim até me convidam para me dar mais dinheiro. A última vez convidaram-me para ganhar seis vezes mais. Fiquei sentado na mesma cadeira, a fazer o que gosto: ser jornalista. Um dia, se tiver sorte (e mérito), talvez me estejam sempre a ligar a pedir borlas por me admirarem. E sabe que mais MEC? Eu, se puder, direi que sim. Se não puder, direi apenas: "Não, obrigado".

Tem graça  porque eu, quando dou uma borla a alguém, sem receber nada em troca, não me sinto nenhuma Madre Teresa, nenhum Peter Parker nem sequer um Di Natale. Mas grito, para mim mesmo, em silêncio, qualquer coisa do género: "Como é linda a puta da vida".

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O triunfo dos vigaristas

 

O Lobo de Wall Street

Realização: Martin Scorsese
Elenco: , , Margot Robbie
Género: Biografia, Comédia, Crime
Classificação: 10/10

Golpada Americana

Realização:
Elenco: , ,
Género: Drama, Crime
Classificação: 8/10

Hollywood rendeu-se aos vigaristas. E estes já começaram a 'limpar' os principais prémios da temporada. Só faltam os Oscares para confirmar a amplitude do assalto.

Primeiro chegou-nos O Lobo de Wall Street, de Scorsese. Um ritmo alucinante de drogas, esquemas manhosos para enriquecer na bolsa e cenas de sexo. Para aprimorar um filme brilhante em que o protagonista nos conta diretamente a sua versão da história eis que o próprio Jordan Belfort dá um arzinho da sua graça ao aparecer na cena final a apresentar Di Caprio, quando 'Wolfie' muda de vida e se torna orador motivacional.

Só um aparte para referir que o filme tem uma das melhores cenas que já vi no cinema: um Di Caprio sem controlo sobre o seu corpo sob o efeito de drogas. (Eu que já fui vítima de uma intoxicação por monóxido de carbono consegui rever-me na cena: pensamento lúcido e o corpo simplesmente não obedece) Outro 'fun fact' é que este é o filme não documental com mais fuck (506 vezes)  - o que prova que o cinema português já serve de inspiração para Hollywood.


Agora vamos ao outro grupo de vigaristas: os da Golpada Americana. Uma história bem construída que mais uma vez nos põe a torcer pelos maus da fita.O ambiente depressivo dos anos 1970 dá um toque de humor irónico à trama. Não fico, no entanto, convencida que Jennifer Lawrence mereça mais um Oscar (o primeiro para mim já foi duvidoso), agora pela interpretação de uma dona de casa urbano-depressiva. Já Christian Bale aparece como um verdadeiro quebra corações: cabelo mal amanhado para disfarçar a careca e claro uma bela... barriguinha, que lhe rendeu duas hérnias. Apesar disso conquista as duas beldades do elenco.

Um filme em que a esmagadora maioria das falas é improvisada, o decote da Amy Adams é quase um protagonista autónomo, que teve as gravações adiadas por causa do atentado na maratona de Boston e quase foi realizada por Ben Affleck.


 Não há como não gostar destes vigaristas.