terça-feira, 7 de janeiro de 2014
27 coisas que nos fazem sentir velhos
Apresento-vos a lista das 27 coisas que me fazem sentir velho. Porquê 27? Porque fiz 27 anos há pouco tempo, o que não significa que aos 60 tenha que fazer listas saudosistas com 20 metros de páginas de web. A ideia partiu daqui , uma lista que tem um defeito: é muito americanizada. Então fiz uma versão lusitana. Aposto que se vão sentir velhos. Pelo menos, quem nasceu antes de 1986. Aqui estão as 27 coisas que me fazem sentir velho. A mim e a vocês:
2. O Médico de Família estreou-se
3. O 'Conspiracy of one' dos Offspring
4. Os Excesso lançaram a música
... e os miúdos que entraram este ano para
8. O Graeme Souness assinou contrato
9. Já passaram mais de 14 anos desde
10. Já passaram mais de 18 anos desde que
11. Este verão completa-se uma década
12. Passaram mais de 12 anos
14. A tragédia de Entre-os-Rios
15. Passaram mais de 53 anos
16. Passaram mais de 13 anos
17. O "buzinão" na Ponte
18. O Batatinha e o Companhia
19. O pequeno Saúl Ricardo
20. Portugal já adoptou o DOT
21. A Rua Sésamo foi emitida
22. Passaram 12 anos desde
24. Passaram mais de 16 anos
25. E mais de 14 anos desde
26. Mais de 21 anos desde que
27. A Amália, o Cunhal e o
O Nelson que era brega como eu
Brega? Sim, chamem-me brega se quiserem, mas eu sei de cor as letras de “Tudo passará” ou “Domingo à tarde”, imortalizadas por Nelson Ned. O cantor brasileiro morreu no domingo e o seu corpo de 1,12 metros foi cremado em São Paulo.
Não vou falar aqui sobre as causas da morte, sobre o acidente vascular cerebral que o tinha numa cadeira de rodas desde 2003, ou sobre a vida em que esbanjou a fortuna que tinha acumulado. Misturou “muita cocaína, muito champanhe, muita mulherada”, conforme o próprio admitiu, numa entrevista à TV Record em 2011. Também não vou falar sobre a conversão à Igreja Evangélica em 1990, que o levou a dedicar-se à música cristã.
Vou aqui falar, sim, de um jovem que nasceu na pequena localidade de Ubá e não descansou até chegar ao Rio de Janeiro. Com 17 anos, foi trabalhar para a linha de montagem de uma fábrica de chocolate. Mas o que gostava era de cantar. E cantou. Cantou em clubes do Rio e São Paulo, gravou uma música em 1960, mas só em 69 viria a ter sucesso com a intemporal “Tudo passará”, um marco incontornável da música considerada brega – talvez um equivalente ao termo “pimba”.
“Quando a cantei num programa fui aplaudido de pé no meio da música. Isso é ser brega? Quem não é brega quando fala de amor? É o amor que é brega, não a minha música”, disse Nelson Ned em entrevista à Globo há dois anos.
Já eu não me importo de ser chamada de brega, porque não tenho a culpa de ter a facilidade de decorar letras de músicas. E de ter passado a infância a ouvir música e rádio. Foi assim que decorei também todas as letras das músicas de Roberto Carlos até essa altura.
Por esta altura já devem estar a pensar que cresci no Brasil, mas não é verdade. Nasci e cresci em Portugal. Foi a ouvir rádio e as cassetes da minha mãe durante a infância, nos anos 1980, que aprendi as letras de outros tipos de músicas. O meu ouvido nunca foi mau de boca - sempre comeu, ou ouviu, como quiserem, o que lhe apareceu. Brega, pop, rock, jazz, soul, hip hop, fado, bossa nova, etc. Mas isso agora não vem ao caso e já me estou a afastar do assunto de hoje...
O que interessa agora é que o cantor romântico apaixonado pela música calou-se aos 66 anos. Ficam apenas as gravações para consolar as almas mais incuráveis dos tempos dos Sugos&Paninis e de todos os tempos.
sábado, 4 de janeiro de 2014
Dos livros que precisam de ser relidos
Na adolescência, quando o tempo sobrava e a literatura
(infantojuvenil, entenda-se) escasseava nas prateleiras lá de casa, relia
muitos livros. Passei assim muitas tardes de verão, a reler histórias que já
sabia de cor. Há livros – assim, de repente, ocorrem-me dois clássicos da minha
biblioteca: “O Ano da Peste Negra” e “o Geniozinho” – que devo ter relido umas
quatro ou cinco vezes. Eram histórias simples, escritas em linguagem simples, e
cada releitura pouco acrescentava à anterior. Naquela altura, reler livros era um mero exercício de entretenimento.
Só mais tarde, ao começar a ler literatura mais a sério, percebi
que a avaliação que fazemos de uma obra depende muito da fase da vida em que
estamos quando a lemos, e que a cada (re)leitura pode representar uma
descoberta. Foi uma professora de Português (who else?) quem mo explicou, a
propósito do desagrado da turma em relação ao "Viagens na Minha Terra". Prometi a
mim mesma que, um dia, iria reler a obra do Garrett; depois juntei à lista "Os
Maias", o "Cem Anos de Solidão" (adorei ambos e por serem tão bons acho que
merecem uma segunda abordagem) e uns tantos outros que se perderam nos confins da minha memória.
Ontem – e este sei que não me vou esquecer – acrescentei “A Desumanização”, de
Valter Hugo Mãe.
Acabei de ler “A Desumanização” sem saber bem o que pensar
do livro. Gostei, mas acho que não assimilei tudo o que está dentro daquelas
240 páginas. A minha postura inicial perante a obra, um misto de entusiasmo com
ceticismo – se por um lado suspiro com cada frase que sai da mente de Valter Hugo Mãe, por outro temi que ele estivesse a perder-se após toda a euforia em torno de “O
Filho de Mil Homens”, para mim o seu livro mais pobre – não ajudou; o
facto de ler sempre antes de dormir, já com o João Pestana a chamar por mim,
também não.
Se ainda não leram “A Desumanização”, aceitem o conselho:
façam-no com tempo, leiam-no numa altura em que estejam bem acordados e sem
distrações por perto. O livro é, de facto, muito denso. A história de Hallah - uma menina de 11 anos, que carrega o fardo de ser a irmã "menos morta" da família, depois do falecimento da sua gémea - é quase que um mega
poema em forma de romance, uma ode à Islândia com alguma filosofia à mistura e onde a história parece
ficar relegada para segundo plano – e agora estão os críticos de vhm a
sorrir, julgando que vou dar argumentos à tese do "escritor pretensioso que se preocupa mais com a forma do
que com o conteúdo”. Mas não, meus caros, podem baixar as armas. Porque
chega-se ao fim de “A Desumanização” e percebe-se que afinal havia ali uma história incomum,
e que essa história não só faz sentido como nos convida a refletir sobre uma
série de questões– da morte à natureza do próprio ser humano. E até o título – que inicialmente me pareceu tão seco e frio
– não podia afinal ter sido melhor escolhido. Desumanizou-se Hallah e desumanizaram-se aquelas pessoas, perdidas nos fiordes islandeses.
O problema é que se me pedirem para dar uma nota ao livro,
friamente, não consigo. Porque acho mesmo que preciso de relê-lo para o assimilar plenamente. O problema número dois é que não releio um livro
desde a adolescência, porque entretanto a equação se inverteu – falta-me agora o tempo (e a vontade, por vezes, há que confessá-lo) e acumulam-se os livros na
prateleira. Talvez desfaça as minhas dúvidas lá para a idade da reforma (80
anos, quando chegar à minha altura?). Entretanto, se alguém quiser ajudar-me a refletir sobre o que li, as vossas opiniões serão bem-vindas. Está aberta a discussão.
Personagem do ano: um princípio
Caros concidadãos,
escrevo-vos hoje sobre a necessidade de corrigir uma injustiça histórica: é urgente criar e disseminar a eleição da personagem de ficção do ano.
Mais do que heróis e vilões de carne e osso, do que precisamos é de figuras ficcionais que nos inspirem, nos façam sonhar, nos coloquem questões ou nos despertem o mais profundo asco. Criações que sejam demasiados boas e (in)verosímeis para ficarem presas apenas na gaveta da ficção.
Tomem 2013 como exemplo. Figura nacional? Daniel, o narrador e figura maior de Índice Médio de Felicidade, de David Machado. Quem melhor pode representar o Portugal de 2013 do que um lírico desempregado, sem rumo nem teto, à deriva ao mesmo tempo que tenta colar os cacos das vidas em volta?
Figura internacional? Walter White, o pai de família canceroso que se transformou num senhor do crime e levou à fama mundial a brutalissima série Breaking Bad. Sim, a Time também o elegeu como personagem ficcional do ano (ok, a ideia talvez não seja assim tão original). A impressionante mudança do pacato professor de química tornado um traficante de metanfetaminas sem escrúpulos tem leitura mundial. Não importa se Walter desafiava os limites por amor à família ou para deixar uma narsísica prova de vida: a sua história diz muito sobre os primatas que somos.
Sim, as personagens principais de Índice Médio de Felicidade e de Breaking Bad são as minhas figuras do ano (ou não acham que as outras, de Paulo Portas a Rui Moreira ou do Papa Francisco a Vladimir Putin, são também produtos de ficção?). Se estiverem comigo, em 2014 podemos votá-las todos juntos.
escrevo-vos hoje sobre a necessidade de corrigir uma injustiça histórica: é urgente criar e disseminar a eleição da personagem de ficção do ano.
Mais do que heróis e vilões de carne e osso, do que precisamos é de figuras ficcionais que nos inspirem, nos façam sonhar, nos coloquem questões ou nos despertem o mais profundo asco. Criações que sejam demasiados boas e (in)verosímeis para ficarem presas apenas na gaveta da ficção.
Tomem 2013 como exemplo. Figura nacional? Daniel, o narrador e figura maior de Índice Médio de Felicidade, de David Machado. Quem melhor pode representar o Portugal de 2013 do que um lírico desempregado, sem rumo nem teto, à deriva ao mesmo tempo que tenta colar os cacos das vidas em volta?
Figura internacional? Walter White, o pai de família canceroso que se transformou num senhor do crime e levou à fama mundial a brutalissima série Breaking Bad. Sim, a Time também o elegeu como personagem ficcional do ano (ok, a ideia talvez não seja assim tão original). A impressionante mudança do pacato professor de química tornado um traficante de metanfetaminas sem escrúpulos tem leitura mundial. Não importa se Walter desafiava os limites por amor à família ou para deixar uma narsísica prova de vida: a sua história diz muito sobre os primatas que somos.
Sim, as personagens principais de Índice Médio de Felicidade e de Breaking Bad são as minhas figuras do ano (ou não acham que as outras, de Paulo Portas a Rui Moreira ou do Papa Francisco a Vladimir Putin, são também produtos de ficção?). Se estiverem comigo, em 2014 podemos votá-las todos juntos.
Óscares para Mandela e, já agora, para o Ouattara

12 Anos Escravo
Realização: Steve McQueen
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael K.Williams, Michael Fassbender
Género: Drama
Classificação: 10/10
Elenco: Chiwetel Ejiofor, Michael K.Williams, Michael Fassbender
Género: Drama
Classificação: 10/10
Um facto: O Mandela morreu há pouco tempo. Mesmo sem saber que tal ia acontecer, Steve McQueen não podia acertar mais na mouche para ganhar a corrida aos óscares. Já se sabe o gosto da Academia em defender causas como a luta contra o Racismo, que infelizmente não acabou no século XIX (época do filme) e que continua a envergonhar a sociedade. Aliando a mensagem política à qualidade técnica do filme (vejam, dei-lhe 10, a mais alta classificação do queijotrivial), é claramente um candidato aos óscares.
Para já, Steve McQueen prova que consegue competir na piscina dos graúdos, ganhando maturidade face aos problemas de precocidade (a vários níveis) do seu último filme: "Vergonha" (original title: Shame).
A história é simples e verídica. Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é um homem livre num País ainda muito dividido entre o Norte (moderno) e o Sul (reacionário, racista e esclavagista). Solomon vive em Saratoga, no Estado de Nova Iorque, e tem uma carreira consolidada como músico, aceitando uma proposta de trabalho para ir a Washington actuar. Os homens que o contrataram eram, no entanto, burlões que trabalhavam para uma rede que raptava homens no Norte para trabalharem como escravos nos campos do Sul. Foi enganado e, a partir daí, é uma luta desumana não para viver, mas para sobreviver.
É nesta via sacra de 12 anos que está o melhor do filme. Sente-se como se fosse na nossa pele cada chicotada nas costas de Solomon, um contido super-herói. Somos também obrigados a desviar a cara perante a carne fresca e a extração de sangue dos macabros rituais dos carrascos do sul. Uma dor desconfortável, uma intensidade brutal.
A chave do filme está ainda na contenção de Chiwetel. A todo momento puxamos para que use a sua força para se vingar dos porcos brancos estúpidos, qual Django Libertado, mas levamos com sucessivos banhos de realidade. E é na coragem de não ser feroz, suicida e vingativo, que está a salvação de Solomon. Na sobrevivência.
É vergonha, enquanto seres humanos, que sentimos ao ver o filme, um sentimento que o filme anterior de McQueen, apesar de ter esse nome, não conseguiu despertar. Deixo, no entanto, um conselho a Hollywood para os filmes que hão-de vir: se querem pegar no tema do Racismo e da Escravatura, peguem, mas não é preciso recuarem até ao século XVIII ou XIX.
O Racismo ainda existe, está é mais mascarado. Analise-se, por exemplo, as entrevistas de emprego no Ocidente com um preto e um branco em igualdade de circunstâncias curriculares e veja-se qual a percentagem de aceitação de cada um. Veja-se o nível salarial entre pretos e brancos e por aí fora. Será esta temática esteticamente atraente em termos cinematográficos? Não sei. Mas se Hollywood quer mudar o mundo com os seus óscares, certamente arranja solução. E a Academia vai corresponder.
Para finalizar, conto aqui uma história a que assisti em 1995 (há quase 19 anos). Fui pela primeira vez à bola com o meu pai, ver um Sporting-Boavista em Alvalade (0-0). Não me lembro bem do jogo, a não ser do resultado e que sempre que o Bobó (jogador guineense do Boavista) tocava na bola, os tipos da claque do meu clube começavam a imitar um macaco. "Uh-Uh-Ah".
Senti-me envergonhado. O Ouattara (avançado costa-marfinense do Sporting, que saiu para entrar o Chiquinho Conde) veio junto da claque mostrar-se indignado, como quem diz: "Parem com isso, é um dos meus." Mas não era um dos dele. Era um dos nossos, humano. E hoje, no futebol, há quem ainda não o perceba. A claque fingiu que não era nada com eles e incentivou o seu jogador: "Uh-uh-ah-Ouattara!", "Uh-uh-ah-Ouattara!". Tentaram emendar a mão, mas nada feito. Foram racistas. Foram medíocres. Aquilo marcou-me até hoje.
Quando fizeram o mesmo ao Balotelli no Dragão há dois anos voltei a sentir vergonha. Há coisas que voltam e que não são boas. Yaya Touré já avisou que os jogadores africanos podem boicotar o campeonato do Mundo na Rússia se o Racismo continuar no país. Touré é um dos muitos Mandelas e Solomons que andam por aí. Ouattara também era.
Se Hollywood e a Academia querem catequizar têm aqui, infelizmente, matéria da boa. O Racismo na atualidade. As estórias dos séculos passados já se começam a esgotar apesar de serem realmente boas (lembremos The Help, por exemplo). A de McQueen desta vez passa. Porque é muito boa e merece (mesmo) estatuetas douradas. Mas comecem a inovar, por favor. Não no tema, mas na época.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Pricasso, o pénis pintor
Era uma vez um artista frustrado, que sonhou ser pintor mas não
conseguiu criar mais do que umas pecinhas em cerâmica. Ganhava assim a vida,
até que um dia entrou numa casa de banho pública e teve uma epifania: desenhou
um smile num urinol e percebeu que tinha um pénis cheio de talento. Chegou a
casa e repetiu a brincadeira, desta vez usando tinta. Contou a proeza a um
amigo e, na passagem de ano seguinte (deviam ter bebido pouco, deviam –
acrescento eu) esse mesmo amigo desafiou-o a fazer o seu retrato numa tela, usando
apenas o pénis como pincel. E foi então que o artista deixou de ser frustrado.
Segundo a Wikipedia (e ai de quem ponha em causa a
verdade da Wikipedia), foi mais ou menos isto que aconteceu ao senhor Tim
Patch, agora conhecido pelo nome artístico de Pricasso.
Se foi ou não assim que tudo começou, pouco interessa. Certo é que o senhor Tim
é mesmo um Picasso em versão web 2.0: faz retratos lindos e fiéis de quem o
rodeia mas, ao contrário do Picasso original, não utiliza pincéis – “trabalha”
apenas com o seu pénis. Aliás, mentira, que eu vi uns vídeos em que ele recorre
também ao rabo para ajeitar a tela.
Muita
coisa se podia escrever sobre pincéis, trinchas e Pricassos, mas eu não vou cair
na piada fácil. Este homem é um artista e um dia, se houver justiça, ainda
vai ter o seu trabalho exposto num museu, lado a lado com o do Picasso
original. Repare-se que ele segue as pisadas do mestre:
Pinta
senhoras desnudas, ao estilo "Les demoiselles D'Avigon"

Já se eternizou através de um autorretrato
E – vamos lá ser as coisas como elas são – tem um sentido estético-artístico
muito mais apurado do que o Picasso original.
Deixo-vos com o artista em ação, numa tela de cariz político
– porque este homem não é só brejeirice. Se quiserem ver mais (e tiverem mais
de 18 anos, que este site contém nudez explicita), passem no estaminé dele, em www.pricasso.com. Ou, se forem homenzinhos
o suficiente, proponham-lhe amizade no facebook (https://www.facebook.com/pricasso).
Com sorte ainda conseguem uma borla. Ah, o orgulho que era ter um quadro destes
na sala de estar!
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Feliz Navidad aos políticos portugueses
Não. Este não é um texto sobre o Iberismo. Até porque desde a
morte de Saramago (e tendo em conta a taxa de desemprego de nuestros
hermanos) que os fulgores iberistas se acalmaram. Ainda não é desta que o
País é gerido a partir da Moncloa. Além de não ser sobre o Iberismo, nem sequer
é um texto. É um pretexto. Como a troca de presentes natalícia já se finou em Portugal em 2013, dá-me jeito evocar
o Natal à Espanhola para atribuir prendas a alguns dos líderes políticos portugueses.
Aqui ficam as minhas sugestões:
A Pedro Passos Coelho oferecia a Constituição da República Portuguesa Anotada, de Vital Moreira e Gomes Canotilho, para que
o primeiro-ministro evite que a principal oposição venha do (palácio) Ratton, em detrimento do (Largo do) Rato. Depois, como ele se portou muito bem em 2013, ainda
o presenteava com um curso de Defesa
Pessoal com o Chuck Norris - o único verdadeiramente capaz de travar o Steven Seagal, que
anda por aí a soldo dos Gato Fedorento.
O sapatinho de António
José Seguro seria preenchido com o DVD do P.S. I Love You, comédia romântica de 2007. Não
pelo drama, mas para o secretário-geral do PS se inspirar no título e tentar cativar as hostes socialistas. Caso as Europeias não corram bem, estará, certamente, em apuros. 2014 é um ano que vai
definir se Seguro é um Ferro Rodrigues v2.0 ou um Sócrates v2.0. Dava jeito ser
o segundo por dois motivos: para se aguentar tempo suficiente para ir a votos em Legislativas e
para manter um apoio com percentagens norte-coreanas no PS. O segredo está no
amor. Que Seguro ame o PS, para o PS o aprender a amar. Até porque, como disse o seu antecessor: "O Amor não é para ser entendido, é para ser vivido".
A prenda que daria a Jerónimo
de Sousa seria o livro a História do Partido Comunista Português, de João Madeira. É que o secretário geral d’O
Partido comemora, neste ano de 2014, uma década à frente do PCP, estando a dois
anos de igualar a longevidade de Carvalhas. Jerónimo é parte da história do
partido comunista e não é desde que é líder, mas desde que iniciou a sua atividade parlamentar como o jovem deputado que não queria ser chamado de doutor nem de
engenheiro.
A Paulo Portas oferecia um Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora para que saiba o significado da palavra
irrevogável. Além disso o dicionário é laranja, o que ajudará o líder centrista
a não estranhar tanto a cor dos companheiros de Governo. Já agora cá está uma
definição da palavra num dicionário:
irrevogável (do latim irrevocabilis,
-e); adjectivo de dois géneros; 1. Que não se pode revogar; 2. Definitivo.; 3.
Que não torna atrás.
A Catarina Martins e João Semedo oferecia uma dúzia
de Barretes, da Cabana dos Parodiantes de Salvaterra de Magos, para matarem
saudades dos tempos em que o Bloco de Esquerda tinha uma autarquia. Tendo em
conta o sucesso do Bloco de Esquerda no ano de 2013, oferecia ainda o documentário O Desastre de Chernobyl para que
percebam que as coisas bicéfalas (ou tricéfalas) só são normais na mitologia da
Antiguidade Clássica.
Por fim, ao Presidente
da República oferecia o São Horas de Acordar, um livro infantil
da editora Horizonte, o livro O Escândalo do BPN, da Gradiva, e
ainda As Funções do Presidente da República, de Luís Barbosa
Rodrigues.
São prendas de 6 de janeiro, mas dadas com muito carinho, já compradas com euros de faces letãs e aconselhadas por dois reis magos: o Belchior e o Baltazar. O Gaspar perdeu toda a sua credibilidade, desde que o deputado comunista Honório Novo disse que tinha um gato com o seu nome.
Subscrever:
Mensagens (Atom)















































